SER AVÔ
Hoje passei o dia com meu neto. Eu sequer sabia que existia o dia do avô, mas as mensagens me fizeram refletir um pouco mais sobre o assunto. Sempre fiquei impressionado com o profundo sentimento amoroso que Antonio me desperta.
No início tinha consciência exata que estar com Antônio me lembrava meus primeiros anos de pai do Rafael. Via nele o Rafael, inclusive os achava parecidos. Tive uma saudade grande daquele tempo, quando cuidava dos meus filhos pequenos. Tive vontade de reviver aqueles momentos. Saudades da minha vida, de minha juventude e de minhas crianças. Eles eram meus, eu e Regina decidíamos tudo, desde os passeios, as roupas, e tudo mais. Claro que haviam os momentos de profunda irritação, com sentimento de estar sendo lesado, de não pode sair a noite e ou abrir mão de viagens maiores, as quais não seriam legais com crianças. Assim a vida correu e tudo passou. Tenho mil histórias para contar, mas não o farei, vou me concentrar no Antonio. Ele não me irrita, eu e Regina, principalmente ela, fica por conta dele, que a cada momento deseja algo e quando se expressa é prontamente atendido. Gosto de fazer coisas para ele. Vê-lo curtir qualquer coisa me dá sempre alegria e com frequência acho muita graça das coisas que ele fala. Amor total.
Pensei hoje e me ficou claro que amor de avô é reparação. A idade, a sensação de vida pronta, a capacidade de atenção e de reflexão, fazem com que perceba o que com meus filhos não me era possível perceber. A reparação é inconsciente e só os bons são capazes de faze-las, são capazes de perceber onde agrediram e machucaram os objetos de amor. Com meu neto não decido, mas gostaria de resolver tudo, pois tenho certeza de que seria capaz de fazer o melhor. Isso só é possível, porque é impossível. Ele tem um pai e uma mãe.
Hoje recebi uma mensagem que reproduz a escrita de uma menina sobre avôs: “avô é um homem que não tem filhos, por isso gostam tanto dos filhos dos outros”. Morri de rir, mas concordei até certo ponto.
Após tudo isso, uma pergunta que ouvi um colega fazendo em uma apresentação, o tema era o amadurecimento, o colega Sérgio Belmont, falou dos netos e fez a pergunta que se cronificou dentro de mim. “Vejo meus netos e me pergunto; onde estava quando meus filhos tinham essa idade?”
Nova Lima, 26 de julho de 2016.
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