A VIDA DE PAI

A VIDA DE PAI

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Tivemos em família um fim de semana alegre, minha filha Fernanda está aqui e veio com seu noivo Ronaldo e como consequência outras pessoas queridas apareceram em função dela. Há mais de um mês, um casal amigo de Fernanda,  me prometeram uma “moqueca”. Iriam ao Espírito Santo e trariam peixe especial para a grande peixada. Esperaram a chegada dos amigos, ou seja, Fernanda e Ronaldo para marcarem o grande dia. Foi ontem. Maravilha e maravilha. Fernanda se prima pela alegria e disposição; brinca, canta, conversa e fala sério. Uma delícia estar perto dela.

Rafael, meu filho também veio, assim como nosso Antônio. Casa cheia, movimento, dores nas pernas, mas com grande satisfação. Delícia. Eu estava sendo recebido, junto com o casal amigo, por minha filha e meu genro em minha casa e confesso que adorei essa ideia. Como é bom ter o sentimento de família, com as pessoas próximas e comemorando, brindando a vida e desfrutando uns dos outros. Fico realmente feliz. Regina também fica alegre e sempre nos divertimos muito. Aí, vem o chato, o tempo corre e não consigo detê-lo e nem diminuir sua toada. O sábado  acaba, as pessoas vão embora e dormimos. O pior vem agora.

Domingo chega e já acordo melancólico, fim de semana acabando, e a certeza de que Fernanda dentro de algumas horas estará no Rio de Janeiro, onde trabalha na Fiocruz. Ser pai é aceitar separações. A vida é lidar com separações. Crescer é separar. Por que precisa ser assim?  Esse é o segredo da vida. Criamos as crianças, sabemos tudo delas, resolvemos por elas. As separações começam cedo, quando percebemos que as crianças têm segredos, não mais nos contam tudo, precisam de transgredir. Quando alguém me diz que os filhos lhes contam tudo, acho graça e fica claro que não percebem que estão falando do desejo de não viverem as separações.

O crescimento continua e as separações se tornam físicas, aí fica chato mesmo, mas que remédio? Essa semana que passou a presença da Fernanda me deu consciência de que os papéis vão se invertendo inexoravelmente.Hoje ela cuida e se preocupa com os velhos, ainda nem tanto, mas já vulneráveis. Estou triste, com saudade e me perguntando, será que sempre tem de ser assim? A resposta vem de forma definitiva: sim, tem de ser assim sempre.

Imaginem que ser pai é criar uma pessoa,  um ser que vai amar, crescer, sofrer, ganhar e perder. Alguém que vai se parecer com você, mesmo achando que não parece, e você terá de se confrontar com algumas características próprias das quais não gosta tanto.  Nossa impotência aparecerá, pois já não podemos resolver seus problemas e nem realizar seus desejos. Que pena.

Tudo isso porque minha filha Fernanda está voltando para o Rio e estou puto com isso.